EMPRESAS DE ÔNIBUS DEVEM MAIS DE 100 MILHÕES DE REAIS PARA A PREFEITURA
| Foto reprodução BloG do TinhO |
A cidade perde e o usuário sofre as consequências da incapacidade da prefeitura em cumprir suas atribuições de planejar a operação em seu território, já que não dispõe de um banco de dados com informações básicas minimas sobre o assunto - índice de passageiros por kilometro rodado (IPK), volume de carregamento, perfil dos trajetos, hábito de deslocamento dos passageiros, conhecimento dos custos fixos e variáveis que compõe a planilha, características tecnológicas dos veículos, etc.. - informações essenciais pois o preço das tarifas é extraído da soma dos custos administrativos, gerenciais e operacionais divididos pela média de passageiros por kilometro rodado. Somente em 2007 foi adotada um modelo de planilhamento aceito nacionalmente. A Planilha de Cálculo Tarifário para Transporte Urbano elaborada pelo GEIPOT foi usada como argumento na negociação com as empresas que reivindicavam novo aumento. A Secretaria de Transportes congelou aumentos das passagens por dois anos (2007, 2008) tendo como base os custos dos 27 itens analisados da planilha. Até aquela data os aumentos eram decididos pelos empresários em reuniões no Sindicato das empresas. O uso da planilha do GEIPOT caiu novamente no esquecimento a partir de 2009 e os aumentos voltaram a ser concedidos sem a análise criteriosa da planilha de insumos por parte do governo. Com preços injustificados e operação feita sob a ótica de interesses mercadológicos acentuaram-se as distorções prejudicando a qualidade de oferta dos serviços. Estas distorções foram agravadas pela falta de um planejamento global e integrado do trânsito, transporte, uso e ocupação do solo público que impactam na fluidez do trânsito acentuando a irracionalidade no sistema viário da cidade. Prevalece o conceito de gestão artesanal da mobilidade urbana influenciando negativamente os custos operacionais do transporte pela forma desordenada que interagem seus componentes. Tratados de forma estanque como facções que não se comunicam , o trânsito, transporte e ocupação territorial não são vistos nem tratados de forma sistêmica pelo poder publico.
Tudo é feito à "meia-sola"
Mesmo a Secretaria Municipal de Transportes criada em 2007, já nasceu esterilizada pelo governo da época quando decidiu manter a fiscalização e vistoria dos ônibus na Secretaria de origem - Serviços Públicos - com quem as empresas de ônibus se comunicavam. A decisão do governo restringiu a atuação do novo orgão mantendo o centro de decisões nas mãos dos empresários. Foi um único e raro caso no país em que uma Secretaria de Transportes, resumida a uma cadeira e uma mesa, não tinha poder coercitivo sobre as concessionárias. Sem recursos para aquisições de equipamentos e contratação dos técnicos necessários para formular as políticas públicas do setor, o novo orgão não promoveu grandes mudanças na mobilidade urbana. Mesmo a elaboração de projeto feito com a ajuda de engenheiros da COPPE instituição de alto nível de excelência da UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro - com objetivo de estruturar o novo orgão e aprovado por técnicos do BIRD, que financiaria sua implementação, não sensibilizou o chefe do executivo a quem cabe a decisão final. Até hoje, para formular propostas de um segmento complexo, dinâmico e delicado como é o de transporte coletivo, a prefeitura de Duque de Caxias não dispõe, em seu quadro de funcionários, de engenheiros com especialização na área de transporte ou trânsito. Incapaz de coletar e monitorar a evolução dos dados em campo para gerar elementos de planejamento e sem técnicos que sistematizem estas informações a prefeitura fica sem argumentos para propor a revisão do sistema e dar transparência a composição tarifaria. Com estrutura deficiente e carecendo de subsídios a Secretaria de Transportes é um "elefante branco" que, via de regra, apenas oficializa decisões tomadas nas garagens de ônibus. São os concessionários controlando o poder concedente.
Embora o investimento na renovação da frota seja real ( reduzem custos de manutenção pesada), os empresários de ônibus convivem diariamente com alto índice de reclamações dos usuários. Enquanto a composição de custos for uma caixa preta as desconfianças serão justificadas. Não democratizar as informações fertiliza oportunismos e incompreensões que satanizam os empresários de ônibus de forma exacerbada. Neste universo de obscuridades surgem retóricas que pregam preços de passagens insustentáveis, desrespeitando a ciência exata da matemática financeira, desconhecendo o equilíbrio - econômico - das operações e prejudicando a qualidade do debate sobre um assunto que requer conhecimento sobre detalhes e nuances de sua execução.
Embora o investimento na renovação da frota seja real ( reduzem custos de manutenção pesada), os empresários de ônibus convivem diariamente com alto índice de reclamações dos usuários. Enquanto a composição de custos for uma caixa preta as desconfianças serão justificadas. Não democratizar as informações fertiliza oportunismos e incompreensões que satanizam os empresários de ônibus de forma exacerbada. Neste universo de obscuridades surgem retóricas que pregam preços de passagens insustentáveis, desrespeitando a ciência exata da matemática financeira, desconhecendo o equilíbrio - econômico - das operações e prejudicando a qualidade do debate sobre um assunto que requer conhecimento sobre detalhes e nuances de sua execução.
A luz da razão devemos reconhecer que as empresas de ônibus geram empregos, pagam tributos e prestam um serviço estratégico para a sociedade. Sem eles seria o caos. Entretanto, é necessário o cumprimento da lei, transparência e lúcidez para aparar arestas, corrigir distorções e promover um debate propositivo envolvendo todos os atores deste processo. O Estatuto das Cidades propõe uma gestão democrática com a participção da população por suas associações e entidades representativas para debater, formular e acompanhar a execução da operação de um serviço considerado essencial pela constituição brasileira. A população que financia a operação tem esse direito e as empresas e o governo municipal precisam reconhecê-lo.
É preciso desintoxicar o debate porque a questão das tarifas de ônibus não é política. É estritamente técnica.
Cabe ao poder legislativo fiscalizar o cumprimento da lei exigir a licitação além de mediar este encontro para que todos saiam ganhando.





